terça-feira, 20 de novembro de 2012

Grávida na Suíça


No aeroporto, às 18h20 da noite, pelo horário da Suíça, dia 27 05 2012:

Chegou a hora de voltar para o Brasil e de matar a saudade do meu filhote e do marido. Grávida de quase 6 semanas, estou aqui pensando sobre a delícia que foi essa experiência e sobre o tanto que desejo essa gravidez. Fico pensando que se tudo der certo vou ter muitas histórias para contar para essa “petite” ou para este “petit qui est dans mon ventre”. Todo mundo que conversa comigo acha que é uma menina, mas a experiência de fevereiro, da gravidez que não foi adiante, me faz ficar cautelosa, com medo de que algo possa não dar certo. Mas tenho confiança!
Falei com Marco e Rafael agora há pouco, ainda pelo celular da TV Suíça, que o querido do Claude me arranjou. Rafael ficou fazendo pouco caso de mim, mas quando perguntei se ele queria que eu ficasse aqui ou que voltasse, ele disse: “Que volte!”. Nossa, acho que amanhã, a chegada vai ser maravilhosa... quero ficar grudada nele o dia todo!
Filho, pensei em você o tempo todo na viagem. Tudo que via queria comprar! Te via lindo em tudo, amando tudo. A roupa de futebol da suíça me enlouqueceu. Estava já na fila do caixa da loja quando vi a roupa. Catei camiseta e meião e fiquei pensando que você poderia usar com outro short... Quando vi o calção, perdi o lugar na fila e fui pegar. Que delícia ter você, que carreguei no peito durante toda a viagem no colar que seu pai me deu de novo, com o berloque.
Agora tá quase na hora de embarcar... vou delisgar o computador e torcer para dar tudo certo.
Na vinda tive uma dor de ouvido muito, muito forte, por causa da gripe. Tive até medo de que isso pudesse ter alguma consequência para a gravidez. Mas, se Deus quiser, não foi nada. E meu ouvido, que até agora não ficou 100 por cento, há de cooperar. Boa viagem para gente...Não vejo a hora de encontrar vocês, minha vida! 

A concepção



Depois da frustração e da superação do aborto espontâneo de fevereiro, e do primeiro ciclo em março, fiquei fazendo contas... A vontade de engravidar ainda este ano era grande. Afinal, queríamos mesmo aumentar a família, dar um irmãozinho/a para o nosso filho e já estava em tempo. Rafael já tinha feito três.
Eu tinha várias anotações no IPHONE com contas feitas em sites, sobre datas prováveis de parto para quem engravida em abril, maio, junho...
Fiz contas do tipo: abril nasce no fim do ano, entre Natal e Ano Novo. E pensava: Não vale a pena, porque fazer aniversário nessa época é ruim.
Mas, ao mesmo tempo, continuava: em maio vou pra Suíça a trabalho e vou perder a chance. Em junho, seria a única alternativa então, já que em julho/agosto tem Olimpíada e o pai estaria em Londres. Ou seja, só teríamos o segundo semestre para tentar... E se não viesse?
Daí, graças a um trabalho de análise e também ao aborto, que me mostrou que nem sempre as coisas saem como planejado, resolvi desencanar das contas. Resolvi liberar para quando viesse... fosse quando fosse, para quando fosse. Seria ótimo de qualquer jeito.
Em abril, segundo ciclo depois da perda do início do ano, consultei a médica por mensagem mesmo. Algo do tipo: “Dra. Paula, tem algum risco ou as chances de perda aumentam se engravidar próximo do aborto espontâneo ou isso não influencia? Tô querendo arriscar!”. A resposta foi divertida e animadora... Decidi então me entregar à sorte.
Os sintomas de que o momento era propício vieram 10 dias depois do ciclo. Rapidíssimo. Justo naquela conta de que antes do meio do ciclo dá menina e depois, menino. Eu fiquei pensando que se isso se confirmasse, seria ótimo.
E assim foi... Seu pai queria mesmo encomendar uma menina, a “Priscillinha”, segundo ele. E veio, logo, como seu irmão.

O CORPO TRABALHA SOZINHO

Viajamos – eu e o Fefel para BH, para curtir a Semana Santa. Não me esqueço que, no sítio, fiquei falando com tia Gá e tia Beth dos planos para engravidar pensando o tempo todo, sozinha: “Será que meu corpo já não está no processo?! Mas queria me poupar até o terceiro mês e não comentei nada.
Depois, ficamos só esperando para ver se daria certo.
Antes mesmo da data para o atraso, ansiosos, comprei um teste de farmácia. E não é que acendeu um pouquinho?! Bem fraquinho, mas acendeu. Logo pensei: “Vou lá no laboratório fazer logo este teste, para matar a dúvida.”

A CONFIRMAÇÃO

Era uma segunda-feira e, na quinta, 21 de maio, eu viajaria para a Suíça. Já tinha a recomendação de tomar medicamento para evitar rejeição na viagem, por isso tinha o pedido da médica.
Passei o expediente inteiro na expectativa. Entrei no site do laboratório umas três vezes até entrar o resultado, já por volta das 18h. Quase enlouqueci.
Estava lá: 24,0. Positivo era a partir de 5,0, se não me engano. Era pouco, afinal, me lembro que na gestação do Rafael e na que não foi adiante, os BHCGs já estavam em 5.000... Mas a minha alegria foi tanta que corri para o banheiro da TV para pular. Imagine lá, sozinha, pulando de alegria de frente para o espelho. E pensando: há males que vem para o bem?! A gravidez de janeiro não foi adiante, mas agora, sem estar barriguda, posso realizar um sonho profissional, de trabalhar no exterior, falando algum das quatro línguas que conheço... E, de repente, vou grávida do mesmo jeito.
Em pouco tempo, liguei pro seu pai. Sussurando, disse: “Marco, deu positivo!”. “Como assim?”. Ele nem sabia que eu tinha ido ao laboratório. Falei: “Tô grávida!” Ele dizia: “Não acredito!”, rindo emocionado.
E assim foi... estamos aqui, já na 30a semana.
Mamãe tá meio relapsa com a escrita, na correria da vida... mas as histórias existem...e são suas, minha querida. Deus nos abençoe!