quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A despedida



Vovó Paula está indo embora agora, depois de um mês. Catorze dias depois do seu nascimento, exatamente como foi quando veio para ajudar com o seu irmão Rafael. Não posso negar que meu coração está partido! 
A distância é mesmo um desafio, afinal, temos que superá-la todas as vezes. A dificuldade é sempre maior numa hora dessas, em que a ajuda da vó foi tão essencial. 
Fico pensando na falta que vou sentir das companhias da madrugada, da prontidão do colo dela para te ninar no mal estar, pra te fazer arrotar depois de cada mamada, pra fazer as massagens a cada troca de fraldas... No banho desde o primeiro dia em casa, ainda cuidando do seu cordão umbilical... Ai, meu Deus! Que triste é a despedida. 
Fefel acabou de dizer na sala, depois das fotos, que está triste que a vovó vai embora. E eu então?! Mas, ao mesmo tempo, feliz de ter tido a ajuda dela por esse período. Pena as férias dela estarem pra acabar. 
Falei da ajuda com você, mas teve também a participação importante na vida do Fefel. Na preparação para sua chegada, no cuidado com ele depois que você nasceu. Na atenção, na contação de histórias antes de dormir, na companhia para os vídeos, na companhia de quarto, no xixi noturno, nos ensinamentos. Ele aprendeu a pular corda esses dias, com ela. E ainda foi treinado a fazer "malabarismo" com a bola de espuma. Ela podia estar morta de sono, mas não desistia. Foi quase um plantão 24 horas, 7 dias por semana.
São quase 14h30... vovó se foi e o Fefel subiu. Acabou o tempo para escrever. Pelo menos, também termina - por agora - a hora do baixo astral. Você, Gabriela, dorme. E eu vou ali, ficar com seu irmão.
Vamos seguindo, até o nosso próximo encontro. Que seja em breve. E que os dias até lá sejam tranquilos, como os que tivemos com a vovó aqui. Deus nos abençõe!
24/01/2013

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Primeiro dia de cólica... 10 minutos de duração.



Hoje é seu quarto dia vida, filha. Na madrugada, quando eu e vovó te acordamos para mamar, você teve um desconfortozinho... Eram cinco e meia da manhã e eu tinha liberado a vovó para dormir porque quis ficar com você no último arrotinho. Mas, de repente, fiquei sem saber o que fazer. Comecei a ficar angustiada com o seu mal estar e chorinho. 
Fui logo chamar a vovó pra ela ajudar e, no fim, foi ela quem me dispensou.  Você estava inquieta, mas quase nem reclamava. Ela acabou te acalmando sozinha. 
Ao todo, passamos umas duas horinhas no seu quarto. Das 4h às 6h30. 
Seu choro no entanto, ninguém ouviu de tão baixinho e calminho.



A PRIMEIRA CÓLICA EFETIVA, AO QUE PARECE. 

Nove da noite, mais ou menos do mesmo dia 14. Te demos o primeiro banhinho em casa por volta das 20h30, quando seu pai chegou com a banheira. Descobri no meio de tarde que ela sumiu de casa, mas não conseguimos sair pra comprar. 
Todo o resto do kit banho, inclusive o suporte e o adaptador para recém-nascidos estavam aqui. 
Bom, fiz uma sauninha no banheiro e a vovó entrou em ação. Você não reclamou quase nada. Limpinha e cheirosa, trocada, voltou para o quarto para a mamada. 
Mamou, parou... Mais um pouquinho e uma nova pausa para arrotar. Na terceira vez, começou o mal estar. 
Caretinhas, chiadinhos e de repente, um cochilo. 
Vovó de deitou quase de cócoras no colo dela. Disse que descobriu recentemente que é a melhor maneira para aliviar o desconforto do bebê. 
Ficamos lembrando de como segurávamos de barriga para baixo antes. Me lembrei da peregrinação pela casa com seu irmão Rafael, que durava até duas horas. Vó Nair sofreu naquela época. E a vó Paula, que o recebeu da maternidade, também nos primeiros dias. Foi naquela ocasião que ela cravou um traço da personalidade dele: o de ser voluntarioso. 
Mas falando de você, durante o mal estar de hoje, vovó voltou a repetir que é uma menina calma, tranquila, da paz. "O mundo precisa de gente assim, filha! Do bem", disse mais cedo. 
Em menos de dez minutos você já estava dormindo no colo dela. De repente, fez cocô. Foram dois punzinhos e nenhum - NEM UM ÚNICO - chiado e pronto. Estava curada do que parece ter sido a primeira cólica da sua vidinha. 
Ô meu Deus! Tem horas que eu nem acredito que você é como é... e é minha! Deus nos abençõe sempre, filha. Você é uma benção mesmo e não há nada mais perfeito para descrever o que significa a sua presença na nossa vida! 
EU TE A-MO! 

A abençoada



Mamãe até se emociona só de pensar em tudo o que você já representa: paz, tranquilidade, alegria. Aprendizado, bem estar, reflexão... Ponderação! Sossego, sabedoria. Como pode um serzinho tão pequeno carregar em si tantas boas lições em tão poucos dias?! Eu tenho a sensação de que você já está me transformando numa pessoa melhor. Com você, Gabi, estou praticando a calma. Estou falando mais baixo e tentando correr menos. Você me permite ter tempo para o seu irmão e para todo o resto.
Não paro de repetir que você é abençoada! Mas não tinha me dado conta disso até que vovó Paula contou mais uma do Fefel, um verdadeiro apaixonado por você. Ontem, na sua primeira noite em casa, ele pegou meu celular para tirar fotos de você no berço - vira e mexe ele quer ir lá para te beijar, te abraçar. Daí, chegou no quarto, fez as fotos e falou para vovó: "Ela é abençoada!". Coisa que eu sempre disse pra ele também. Mas repetir assim, por conta própria, foi demais! Nada mais verdadeiro! 
Vovó vem dizendo que já tinha ouvido falar, mas nunca tinha conhecido um bebê assim... Desses que a casa nem se lembra que existe em casa, de tão tranquilo e bonzinho que é. Eu até agora não acredito! Passo o dia todo refletindo sobre como você veio na hora certa. A segunda, a calminha, a que vai nos equilibrar, sem ter isso como missão. Vai ser natural, por causa do seu jeito. 
Deus te fez melhor do que a encomenda, minha filha querida! Você já é tudo de bom. Obrigada por ser como é! A gente pre-ci-sa-va da sua paz. 

Gabriela chegou!





Fiquei lúcida durante todo o parto. O horário ajudou bastante e não senti uma dorzinha sequer. Só uma sensação como se estivessem puxando com força a barriga para você sair. Mas deve ter sido outra coisa, porque perguntei se não estava saindo e ouvi a Dra. Paula dizer: "Não está?! Já saiu! Olha, que cabeluda!" E pouco depois te ouvi chorar! 

É uma sensação que enche o peito! In-des-cri-tí-vel! Só quem já viveu sabe como é. Nada é mais rico e poderoso! 



O PARTO 

Eu estava me sentindo plena antes mesmo de te ouvir e te conhecer, principalmente ao ver seu irmãozinho na janela para assistir o parto. Fiquei preocupada com ele, querendo mostrar o quanto o amo e o quanto ter você com ele ali era uma coisa ímpar na minha vida. (Escrevo e choro... de emoção! Que benção poder viver isso! ) 
Vó Paula, vô Marcos e tio Pedro também estavam lá. Com a Elisa, a babá de quem a gente tanto gosta. Chegaram a tempo, graças a Deus. 
Não tirei os olhos do Fefel, que observava atentamente tudo. E sussurava para ele: "Eu te a-mo!". 
Vó Paula chorou de emoção... seu pai também. Vi os olhos dele cheios, como os meus e disse que o amava também. 
Ver mais uma cria nossa, que depende de nós e que chegou linda para nós, é grandioso.

O CHORO 

De repente, o seu chorinho! Na hora, até me esqueci que nenem tem mesmo de chorar quando nasce. Devo ter perguntado, meio grogue e demonstrando preocupação, sobre o seu choro. E ouvi da pediatra: "Tem de chorar mesmo, é importante! É bom sinal!". Pra expandir os pulmões, claro. Me lembrei das leituras e me tranquilizei. 

3.100 KG 

"Nasceu! Meio dia e vinte e nove!", exclamou o anestesista. Um fofo também. Ô equipe boa, gente. Dra. Paula, uma querida, me tranquilizando desde sempre. O auxiliar, Ronnie, falando da filha bebê pra me fazer pensar em coisas boas, já que eu confessei o meu medo, ou pavor, de cesárea ao chegar ao centro cirúrgico. Os dois também fizeram juntos o parto do Fefel. E o anestesista eu reconheci pelo nome, Serafi. 
Falei da enxaqueca no pós-parto do irmão e disse que sentia muito frio depois da anestesia. Queria que fosse diferente. Ele falou: "Vamos fazer uma medicação e você não vai sentir frio nenhum. Fica tranquila!", fazendo carinho nos meus ombros, enquanto começava o procedimento para você nascer. 

APGAR 9,1

Antes de você aparecer para mim, enquanto todos te viam e as enfermeiras e pediatra te limpavam, te pesaram e testaram. De repente, ouvi a nota do teste feito ao nascer. Maravilhosa! Tudo perfeitinho.



A EMOÇÃO DE TE VER 

Quando você apareceu... ai, meu Deus, que emoção! Filha, você é linda desde o primeiro minuto! Chegou pra mim rosa, linda... perfeita. PER-FEI-TA! Me apaixonei! 
Consegui mexer os braços e pegar em você embrulhadinha, coisa que não consegui fazer com o Fefel. 
E me lembro de exclamar sobre o quanto você era linda! E de agradecer a Deus pela perfeição. Afinal, enquanto estava na barriga, mamãe fez tudo para sua saúde, mas te ver e ter a certeza de que deu tudo certo não tem igual. Minha nova pele de pêssego! Meu novo grande amor! 

O dia do parto




Decidimos marcar para o dia 10/01, uma quinta-feira. Mamãe confessa que sempre achou estranho marcar cirurgia, mas não aguentava mais de ansiedade... O peso da barriga de 38 semanas, que endurecia todas as noites, a superação do medo de você nascer prematura, além da vontade de te conhecer. Tudo isso pesaram na decisão. E mais: vô Marcos tinha passagem para voltar para BH no dia 10 e a vó Paula fica aqui em casa um mês, até 24/01. Queria muito aproveitar a ajuda dela, que é preciosa, pelo maior tempo possível, sem comprometer a sua chegada. 

A ESCOLHA DA DATA 

Na consulta do dia 08/01, Dra. Paula disse que não precisávamos esperar mais. Foi bom ouvir isso, confesso. E sugeriu que fizéssemos no dia seguinte. Ai, meu Deus! Tive até dor de barriga na hora, de medo. 
Ela tentou marcar, mas a maternidade não tinha a sala com o visor disponível e eu sonhava em ter os avós vendo o parto. O jeito foi esperar até o dia 10. Na verdade, um dia antes da data que tínhamos marcado na semana anterior. 
Eu tinha preferido o dia 11 para você ter o mesmo número do irmão, já que seria o prazo máximo sugerido pela médica. Mas resolvi antecipar um dia, acreditando que tudo seria melhor. 

A VÉSPERA 

Foi uma correria insana. Fui ao salão, arrumei a sua malinha - tantas opções de roupinha que passei horas em dúvida... A minha só ficou pronta lá pra meia noite e meia. Fiz coisas em casa, resolvi os últimos detalhes e ainda deixei\ o quarto pronto, porque seu pai quis tudo, tudo, montado antes da gente ir pra maternidade. Fiquei podre. 

A HORA H 

Fomos - eu e o papai - para maternidade por volta das 10h da manhã. O parto foi marcado para às 12h. A ansiedade maior era saber mesmo se estava tudo bem com você. Ah, sem contar a vontade de superar a cesárea para ter certeza de que tudo tinha dado certo. 
Fefel ficou em casa para ir mais tarde com os avós. 
Por volta de 12h, me chamaram... Coloquei a roupa e segui para o bloco cirúrgico, morrendo de medo dos avós não chegarem a tempo.



Vi a Dra. Paula logo que entrei e falei do medo, claro. Ela dizia, o tempo todo: "Tranquila! Vai dar tudo certo... e vai ser rapidinho!". Não deu outra, graças a Deus!O 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Papai e mamãe artesãos


Filha, 
papai e mamãe passaram o fim de tarde todo trabalhando para deixar pronto o seu porta-treco. Ô coisinha que deu trabalho! 
A ideia era repaginar o do seu irmão, que era azulzinho xadrez e bege de poá branco. Uma coisa fofa. Pensei em fazer a mesma coisa para você, só que no rosa. Mas confesso que não tive coragem de pagar o que uma artesã pediu. Estava ressabiada, afinal, paguei pelos enfeites de futebol na cortina da cama do Fefel e não gostei. O bordado do seu porta-maternidade maravilhoso também não saiu como eu gostaria. Resolvi então tentar fazer em casa.

HOMEMADE 

Primeiro comprei as tintas para pintar as caixinhas. Comecei sozinha, na semana do Natal, pintando de branco, enquanto seu irmão pintava os quadrinhos que deu de presente. Cada um precisava de uma função, senão eu não conseguiria nada.
O negócio ficou uns 5 dias secando, até eu ter tempo para mexer de novo. Vó Paula e Elisa, a babá que se vai, ajudaram. 
Foi uma doideira, porque colamos fita dupla face em todas as caixinhas para tentar acertar o xadrez. Deu tudo errado e a gente só teve certeza disso uns dias depois. O papai ficou passando a fatura: "Eu avisei que não ia dar certo!"

A SOLUÇÃO 

A ideia de usar o papel de parede que sobrou do seu quarto foi do papai mesmo. Quando a gente ainda estava começando a pintar as peças. Mas eu quis tentar a tinta, afinal, já estava comprada. 
Como não deu certo, seu pai teve de lixar todas as caixinhas para tirar a camada grossa. Resolvemos pegar no batente no dia 02 mesmo. O primeiro de férias dele depois de todas as festas. Foi um dia também de pregar os quadrinhos no seu quarto e no do Fefel.

AS CAIXINHAS
Papai passava a cola e acertava tudo... mamãe cortava os papéis. Até compramos estilete e régua própria pra isso. Coisa que eu nem conhecia, filha. No fim, ficamos até onze da noite cortando e colando para deixar quase tudo pronto. Vovó participou da finalização.
O mais bacana é você saber que fomos nós que cuidamos de tudo! Mais: enquanto trabalhávamos, o papai dizia: "Pri, a gente pode fazer muita coisa junto! "  A gente sente mesmo falta de trabalhar juntos. Quem sabe nesse ano não dá certo, né?!

Chá de fralda

Na loucura do fim do ano e ainda trabalhando muito, mamãe quase não conseguiu cuidar do chá de fraldas. Mesmo assim, resolvi fazer um no dia 15, um sábado. 
Mandei mensagens para as amigas pelo Facebook e por email... e descobri que quase ninguém estaria disponível. Com o fim da obras e ainda com muita bagunça em casa, mamãe achou melhor desmarcar. Mandei mensagens cancelando, mas algumas amigas de fato não se manifestaram. 

O DIA 

No sábado marcado, tirei o dia para jogar fora as cartas e papelada reunida ao longo da vida... caixas e caixas que vieram da casa da vó Paula e que, agora, com a sua chegada, já não cabem mais na nossa nova organização. Foi providencial, na verdade! 
Bom... aí lá para às 14h, perto do horário marcado, me lembrei da Vanessa, amiga fono. Pensei: "Ela foi a primeira a dizer que vinha, mas não respondeu ao cancelamento!". Resolvi mandar mensagem e descobri que ela estava saindo de casa para vir. Constrangida, fui obrigada a dizer que não teria mais. Eu estava toda desarrumada, mexendo em papéis. Mas, pouco depois, liga a Lidi. Ela disse que vinha, nem que fosse só para deixar o presente que já tinha falado que comprou. E mais: avisou que a Laura vinha junto. As duas são as amigas que costumo chamar de amigas-mães. Trabalhávamos e ficamos grávidas na mesma época, quase. 




Lucas, Sarinha e Fefel regulam a idade. Foi uma delícia dividir aquela época da vida com elas e é uma pena que agora a gente já não se veja tanto. Obs.: A loirinha linda da foto é a Mimi, filha da Van. Acabou de fazer 3 anos!




Bom, com a vinda delas, logo pensei: "Então, vou falar para Van vir também!". Fiz o mesmo com a Mariana, mãe do Bernardo e Maria. No fim, filha, foi  uma delícia. A casa encheu só com elas e com as crianças. Pude colocar um pouco do papo em dia, matar a saudade e curtir um encontro com amigas que há muito eu não tinha! 
Fiquei até me perguntando como seria se todas as chamadas tivessem vindo... De pouquinho, consegui aproveitar, sem pirar. hahaha!  (Pena que não fizemos fotos com Mari e Van.)


O CHÁ NA TV 


As meninas da TV foram as primeiras a dizerem que não vinham. Cada uma tinha um compromisso. A única que tentou se organizar pra até trocar o plantão e vir em casa foi a Ana, a amiga mais próxima (a de preto). Sentamos uma ao lado da outra e, mesmo com a correria, a gente consegue saber mais sobre a vida de uma e da outra. É gostosa essa amizade! 

Bom, mesmo sem poder vir, elas logo propuseram fazer algo na redação. Claudinha (a loira de branco na primeira fileira) ajudou a organizar e assim foi. 



Marcamos para a segunda-feira, 17, meu primeiro dia fora do trabalho. Preferi assim para conseguir aproveitar, sem o compromisso de cuidar do jornal. 
Levei duas tortinhas e quando cheguei lá, elas já estavam esperando!
Todas carinhosas com você... e eu achando que aquela seria a última semana grávida até a sua chegada... Não foi!
Quando você estiver um pouco maiorzinha, lá pelo terceiro mês, a gente volta para mamãe te apresentar. 
Valeu meninas!